Aldina Duarte
Aldina Duarte é uma figura central e incontornável do fado, conhecida pela sua dedicação absoluta à pureza do género e pela sua relação profunda com a literatura. Antes de se tornar fadista a tempo inteiro, Aldina trabalhou na rádio e em projetos sociais, mas foi o encontro com a mística das casas de fado (onde foi “descoberta” por figuras como Beatriz da Conceição) que definiu o seu destino. Aldina é uma purista no melhor sentido do termo: canta quase exclusivamente fado tradicional, mas fá-lo com uma modernidade intelectual única.
A sua identidade artística é definida pelo rigor poético e pela escolha obsessiva das palavras. Aldina não canta qualquer poema; ela escolhe textos que lhe permitam uma interpretação visceral e inteligente. É uma das poucas fadistas que escreve as suas próprias letras, mas também desafia grandes escritores contemporâneos (como Maria do Rosário Pedreira ou José Luís Peixoto) a escrever para as melodias clássicas do fado. Álbuns como Crua, Mulheres ao Espelho e o aclamado Roubo revelam uma artista que despe o fado de artifícios para chegar à sua essência mais nua e cortante.
Em palco, Aldina Duarte é a imagem da sobriedade e da concentração. Com uma postura estática mas de uma expressividade facial e vocal imensa, ela exige do público uma escuta atenta, transformando os concertos em rituais de partilha poética. Além de intérprete, Aldina é uma pensadora do fado, sendo frequentemente consultada como especialista e tendo participado em diversos documentários e projetos de investigação sobre o género. Representa a resistência da alma fadista, provando que a tradição é o lugar mais vanguardista que existe quando é servida com verdade e inteligência.
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